quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O Poder da Mídia

No que compreende a comunicação de massa podemos buscar uma compreensão da construção do Estado atual como o aparato difusor da hegemonia dominante, através dos instrumentos de reprodução simbólica do sistema econômico vigente.

Ciro Marcondes Filho (1989) diz que o jornalismo, normalmente, atua junto com grandes forças econômicas e sociais: um conglomerado jornalístico raramente fala sozinho. Ele é ao mesmo tempo a voz de outros conglomerados econômicos ou grupos políticos que querem dar às suas opiniões subjetivas e particularistas, o foro da objetividade. O jornalismo ao atuar de acordo com os poderes econômicos e políticos, funciona como instrumento para difundir os seus interesses de classe e transformá-las em senso comum, assim, a imparcialidade se torna impossível.

Nessa perspectiva, o autor apresenta uma relação de jornalismo e poder, afirma que a classe dominante em qualquer sistema econômico, ao se apropriar dos seus meios de produção, passa também a influenciar, direta ou indiretamente, tudo o que é produzido dentro da esfera da comunicação social.

A imparcialidade apresenta-se apenas como mero discurso reprodutor de uma ideia que a objetividade deve ser perseguida por meio de concepções impregnadas de valores morais pertencentes à ideologia do sistema econômico, os quais os grupos financeiros e políticos desejam transmitir as notícias à opinião pública.

A mesma massa que segue, é influenciada pelos formadores de opinião, que agem no interior dos meios de comunicação, colocando a população na posição de passividade. Uma vez que está excluída do processo de decisão sobre o que é verdadeiro interesse público. De acordo com Marcondes Filho (1989), estamos sujeitos à chamada que apresenta notícias ao público, de forma sensacionalista, que atemorizam, misturadas em outras amenas e superficiais, que tranquilizam.

Ao se fragmentar a informação, a verdade fica distorcida para se transformar em notícia e se adaptar às concepções mercadológicas, políticas e ideológicas do veículo jornalístico.

A própria formação da imprensa em geral exige que esta mantenha um controle sobre os seus receptores. É comum observarmos a despolitização por parte de grande parte do público. Isso decorre da cultura de acomodação como afirma Ciro Marcondes Filho (1989), na qual atemoriza-se e logo depois se tranquiliza o receptor da notícia, com as soft news se contrapondo as hard news.

É fundamental para a existência da imprensa essa tranquilização, esse “equilíbrio” que o público é levado a ter para que continue consumindo os jornais e produtos anunciados. E, sobretudo, não se rebele, não se insurja contra o establishment, dando aos jornalistas a função de denunciar, se indignar e “agir” em nome dele. Assim, o público não questiona as informações que vem dos meios de comunicação e as aceitam, como se estas fossem as únicas verdades.

A dependência da imprensa nos países em desenvolvimento ainda é maior por conta de um Estado subserviente às elites dominantes, como o que acontece no Brasil. Roberto da Matta (1979) diz que a sociedade brasileira se divide em duas coletividades, um Estado Nacional moderno e igualitário que nasce a partir da proclamação da república, com inspiração no modelo do individualismo burguês norte americano e uma Sociedade Hierarquizada, devido ao fato de termos sido colônia de exploração das grandes metrópoles da Europa. Assim, ainda hoje as elites dominantes reproduzem os seus valores simbólicos dentro da ideologia capitalista dominante.

E como, de acordo com a Escola de Frankfurt, os meios massivos são braços difusores da ideologia capitalista, a situação de manipulação da opinião pública é ainda mais evidente num país em que os veículos de informação estão concentrados nas mãos de um grupo reduzido de “famílias” poderosas.

Em outra visão, Kleber Mendonça (2002, pg. 47) diz, em seu livro A Punição pela audiência, que “a prática jurídica hierarquizada - que impede que um juiz ou um jornalista fique preso numa cela comum - é dissimulada em um conjunto de leis fundamentadas no direito universal de igualdade”. E com esses valores transpostos “mecanicamente” de países desenvolvidos para a realidade brasileira, fica difícil não haver uma manipulação maior do que é produzido pelos meios de comunicação, totalmente constituído de uma elite privilegiada.

Existe um conflito, na sociedade brasileira, entre lei democrática e prática hierárquica, segundo Kleber Mendonça (MENDONÇA, Kleber, 2002), cujo objetivo principal é manter implícitos o conflito e a estrutura desigual da sociedade.
Ainda segundo Kleber Mendonça (2002, pg. 48), a imprensa brasileira percebendo essa contradição, atribui a si a urgência de resolver o problema. Com isso, a imprensa pratica o mesmo que diz ser contra, já que se coloca contraditoriamente acima do poder e dos reais interesses do público. Assim dentro dessa prática oportunista, a imprensa faz, com mais facilidade, o jogo do lucro dos agentes econômicos na sociedade brasileira, o jogo dos grupos que detêm os poderes políticos.

Pierre Bourdieu afirma que a desigual distribuição dos elementos de produção é o que faz com que a vida política seja descrita na lógica da oferta e da procura, portanto, o mundo político é o lugar onde se dá a concorrência que há entre os agentes envolvidos, produtos políticos, análises, programas comentários, conceitos, entre os quais cidadãos, devem escolher a melhor opção. Trata-se de um “mercado de bens simbólicos”.

Portanto, a possibilidade de engano é maior na medida em que alguém se encontre cada vez mais afastado do conhecimento político mais profundo. O público acaba não por ter vontade própria, ele apenas reproduz o que lhe propõem como sendo de seu interesse, exatamente por este motivo, que uma dona de casa, ou um operário não politizado, quando assistem o fato da queda do muro de Berlim, comemoram, sem saber o processo da produção daquela notícia, além das razões ideológicas pela derrubada do sistema socialista.

A derrocada do socialismo no leste europeu por exemplo é apresentada de uma forma reducionista, descontextualizada, como vários outros fatos sociais, políticos e econômicos traduzidos de forma tendenciosa pela grande imprensa.

Os jornalistas não reivindicam uma imprensa que exalte, ou abrace concepções políticas, mas apenas que deem ao público material noticioso de qualidade que o permita fazer sua própria análise.

Célio Azevedo.

Jornalista.

Trecho retirado de seu livro "
A Cobertura do JB e do Globo da Queda do Muro de Berlim (1989) e do Fim da URSS (1991)
", de 2006.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A Imprensa no Brasil e o Capitalismo

A evolução da Imprensa do Brasil está diretamente relacionada ao advento da Corte de D. João, que fez com que parte da imprensa brasileira surgisse com a proteção oficial do reino. O jornal Gazeta do Rio de janeiro é fundado no dia 10 de setembro de 1808, defendendo a corte.

A história do jornalismo brasileiro também é marcada por lutas, Hipólito José da Costa funda o jornal Correio Braziliense em junho do mesmo ano, ou seja, três meses antes da fundação do Gazeta do Rio de Janeiro. O jornal publicado em Londres pregava a independência do Brasil de Portugal e entrava escondido nos porões dos navios que transportavam mercadorias e escravos (SODRÉ, 1999).

Até 1999, a data de fundação da imprensa brasileira era comemorada no dia 10 setembro, em referência ao Gazeta do Rio de Janeiro. Hoje, a comemoração acontece no dia primeiro de junho, dia da fundação do Correio Braziliense.

Porém, para se analisar a imprensa brasileira, é preciso compreender o início da formação da imprensa no mundo, e que sua expansão está diretamente relacionada com o desenvolvimento do capitalismo.

Segundo João Batista Natali (2004), o jornalismo impresso, assim como o jornalismo internacional, que nos primórdios do jornalismo seria o único tipo de jornalismo, não nasceu com o capitalismo. No entanto, este o favoreceu na sua expansão pelo Mundo.

O mercantilismo teria precisado do jornalismo, quando ocorreu o florescimento rápido das folhas de notícias impressas que eram vendidas a quem quisesse comprar, e não mais dentro de um mesmo conglomerado comercial e financeiro de clientes preferenciais, e sim, para um grupo indistinto de pessoas mais tarde chamadas de agentes econômicos .

Sabe-se que o jornal impresso foi uma das primeiras publicações do mundo, assim como a Bíblia. A imprensa já teria existido desde o século I, através do exemplo do Acta Diuma dos romanos, que trazia diversos assuntos, como obituários, notícias do governo e crônicas esportivas (SODRÉ, 1999).

Lage (1987) diz que a imprensa, como um todo ou em grande parte, foi o resultado das apropriações e desenvolvimentos de recursos técnicos criados por outras culturas , ou seja, a imprensa já existiria como possibilidade material muito antes da exigência social que a fez brotar.

A primeira publicação em papel teria sido inventada na China, o Notícias Diversas, que foi formado em 713 D. C, em Pequim. Em 1041, lá foi inventado também o tipo móvel, porém a iniciativa não conseguiu se espalhar pelo mundo, pois o alfabeto chinês seria muito mais complexo que o latino. (SODRÉ, 1999).

O papel já era conhecido e usado nos países orientais, Pi Cheng já utilizava caracteres tipográficos móveis de cerâmica entre 1040 e 1050, depois, passaram a fazer o mesmo no Turquestão até 1280. Os primeiros jornais foram publicados na Alemanha, seriam os Avvisi, que eram folhas manuscritas, assim como as Zeitungem, nos séculos XIII e XIV (SODRÉ, 1999).

Portanto, a afirmação de que a imprensa não existia antes de Gutenberg é contestável. Segundo Sodré, todas as invenções, como a de Gutenberg, resultaram de uma necessidade social-capital, que o desenvolvimento histórico gerou e que estava vinculado à ascensão da burguesia em seu sentido mercantilista (SODRÉ, Nelson, História da Imprensa no Brasil, pg. 2, 1999).

A imprensa do século XV possuía apenas interesse a elementos de classes e camadas numericamente reduzidas, o desenvolvimento da imprensa teria sido rapidamente desenvolvido, porém, facilmente controlado pelas autoridades do governo, ou seja, o "establishment".

No entanto, poderosas forças econômicas empenharam-se em debilitar esse controle estatal, eram as forças do capitalismo liberal em ascensão: o princípio de liberdade de imprensa, que foi antecipado na Inglaterra e que seria encontrado, então, tanto na Revolução Francesa quanto no pensamento de Jefferson nos EUA, que correspondia aos anseios da Revolução Americana (SODRÉ, 1999).

A ascendente burguesia da época precisava expandir sua influência pela Europa, a fim de derrubar o feudalismo e instaurar o capitalismo no mundo. Necessitava de heróis que personificassem os ideais da sociedade moderna que nascia, sendo Gutenberg, um bom exemplo de empreendedor.

Ainda em Lage (1987), o mais antigo predecessor do jornalista moderno surgiu na Itália do século de Petrarca, os burgos da Costa Ocidental, enriquecidos pelo comércio com os navegadores árabes, desenvolveram uma forma nova de vida, baseada na concentração urbana.

A leitura e a escrita passaram, portanto, a ser ferramenta de muitos para se poder atuar em uma civilização ocidental que crescia seguindo os passos do mercantilismo, na expansão do comércio das indústrias pelo mundo.

Ainda em Natali (2004), em seu livro Jornalismo Internacional, é fundada na França, em 1835, por Charles Havas, a primeira agência de notícias - a atual AFP. A agência servia para a tradução de informações publicadas por outros jornais europeus e para uso dos jornais franceses. Depois esta teria passado a captar as informações com equipes próprias para reportagem.

Em 1851, o alemão Paul Julius Reuter, que era funcionário da AFP, centralizou em Londres, para uso da imprensa econômica, informações na Europa continental. Tempos depois, passou a captar informações dos Estados Unidos para uso dos assinantes europeus. E assim, nascia a Reuters (NATALI, 2004).

A agência foi a primeira a noticiar o assassinato do presidente Abraham Lincoln. A notícia vinha por malote e através do navio. Como a situação em Washington estava intensa, a agência interceptou a notícia quando o barco do correio ainda estava no litoral da Irlanda, de onde a notícia teria sido transmitida a Londres por telégrafo, o que se constituiu em um grande furo (NATALI, 2004).

Em 1848, nos Estados Unidos, seis jornais de Nova York haviam feito um "pool" para cobertura de eventos como o da guerra dos EUA e México, que resultou na anexação de várias regiões como a Califórnia, Nevada, Arizona, entre outros aos EUA. Segundo Batista Natali (2004), esse pool teria se chamado Associated Press, ou AP, que funciona até os dias de hoje .

No século XX, a mídia impressa se globaliza e entra na era das grandes corporações. Na era do metacapitalismo, os jornalistas teriam de sofrer calados muitas vezes para seguir toda a orientação da linha editorial que o veículo adota. Mais claramente, podemos dizer que a mídia impressa em geral opera em função dos anunciantes e dos seus interesses políticos e econômicos.

Estas empresas, que por serem sociedades anônimas ou limitadas, possuem donos com opinião política e as difundem, já que as decisões aplicadas pelo governo e outras instituições poderiam afetar os seus poderes de influência sobre a opinião pública.

O caráter de formação do Estado capitalista brasileiro teria se dado de uma forma pactuada entre as elites brasileiras, o establishment da época. A situação é, por exemplo, muito diferente do que aconteceu na Inglaterra e na França, onde que a sociedade participou mais ativamente das decisões nacionais.

Assim, a sociedade civil brasileira nunca participou ativamente dos acontecimentos transformadores no país que resultaram na Imprensa de hoje, tendo assumido então uma posição política passiva.

Célio Azevedo – Jornalista e Docente Superior.

Ter ou não Ter - Para Educadores

No mundo atual, onde muitos valorizam o ter em detrimento do ser, sentimentos ficam de lado, emoções são escondidas e amores são distorcidos. Poucos se valorizam pela questão do ser, pelo seu grau de instrução e consciência. Aliás, quase todo mundo busca um canudo para poder aumentar o seu poder aquisitivo, e poucos para buscar alguma evolução individual.

Por que jogamos tudo fora? Por que descartamos tudo o que chega às nossas mãos como um papel que segura uma etiqueta ou uma lâmpada queimada, um celular velho ou até mesmo pessoas? A resposta sintética dessas e outras perguntas relacionadas ao assunto é o substantivo masculino denominado “dinheiro”.

A solução entre todas as já discutidas pelos analistas sociais, políticos e cientistas políticos está em sermos bons educadores, mostrarmos que o ser é mais importante que o ter, que vale mais um coração apaixonado do que um carro importado, apaixonado pela sua causa também vale, pois devemos todos ter uma, até porque os humanos possuem criatividade para isso.

Mas o que ensinar aos alunos, mentes do amanhã? Ensinar a ser mais humano, a valorizar ao próximo pelo o que é. É se tirar um pouco de nossas mentes a rotina e enxergarmos também o mundo real. O conhecimento cura o hábito do consumo excessivo, por outro lado, a alienação se usa consumismo como “válvula de escape”, e é preciso “mudar” para “mudar o mundo”, e só mudamos pela base que é a educação em qualquer tanto básico, como médio ou superior.

Célio Azevedo é Jornalista e Docente Superior.

Helloween, História na Cena do Heavy Metal


O Helloween é uma banda alemã de heavy metal originada no começo da década de 1980 por Kai Hansen (guitarra e vocal), Michael Weikath (guitarra), Markus Grosskopf (baixo) e Ingo Schwichtenberg (bateria). É considerada por muitos como a criadora do power metal (mais conhecido no Brasil como metal melódico). Influenciou bandas do mesmo gênero musical como Angra, Stratovarius, Blind Guardian, Hammerfall entre outras.


Embora poucos saibam, a história do Helloween começou no final da década de 1970, mais precisamente no ano de 1978. Uma jovem banda alemã, chamada Gentry, que contava com Kai Hansen e Peter Sielck como alguns dos membros, foi o embrião para a formação do Helloween. Em 1980, a banda já havia sofrido algumas mudanças de formação e Markus Grosskopf (baixo) e Ingo Schwichtenberg (bateria) já faziam parte do line-up.


Nessa época, o nome do grupo não era mais o mesmo: Second Hell foi o segundo nome utilizado, mas que durou apenas dois anos, quando então eles batizaram a banda com o nome de "Iron Fist". Nesse périodo, o jovem talentoso guitarrista Michael Weikath, juntou-se ao time e então finalmente deram o nome de "Helloween" para o grupo alemão, que tocava um Heavy Metal mais melódico do que o tradicional.


Participa de uma coletânea intitulada "Death Metal" com as músicas Oernst Of Life e Metal Invaders. Logo depois lançam o seu primeiro trabalho, o EP Helloween (1984) que contém cinco músicas: Starlight, Murderer, Warrior, Victim Of Fate e Cry For Freedom. O primeiro "full lenght" vem em 1985 com Walls of Jericho. Esses primeiros trabalhos trazem um Heavy Metal cru, veloz e melódico que tempos depois viria a ser chamado de Power Metal. Com a sobrecarga de duas funções, Kai Hansen deixa os vocais e concentra-se na guitarra, deixando o posto para o jovem Michael Kiske, então com 17 anos, oriundo da banda Ill Prophecy.


Com essa formação, que por muitos é considerada a clássica, o Helloween lança os dois trabalhos mais famosos da sua história que são os Keeper of the Seven Keys I e II (1987 e 1988 respectivamente). A voz marcante e poderosa de Kiske leva os alemães a atingirem sucesso mundial com turnês em vários países, inclusive no Japão. A ideia era lançar um álbum duplo, o que foi barrado pela gravadora. Por este motivo, os Keepers estão divididos em duas partes. É lançado o primeiro disco ao vivo gravado no Reino Unido, que recebe o nome de "Keepers Live" no Japão, "I Want Out Live" nos Estados Unidos e "Live in the U.K." no resto do mundo.


Devido a inúmeras desavenças de ordem musical com Michael Weikath, dizendo também não gostar das imensas turnês Kai Hansen, considerado o mentor da banda e criador do Metal melodico, deixa a banda no início de 1989. Com a entrada de Roland Grapow (do Rampage) em seu lugar. Com essa nova formação o Helloween lança mais dois trabalhos: Pink Bubbles Go Ape (1991) e Chameleon (1993), os quais não são bem recebidos pelos fãs da banda por fugir da temática heavy metal do conjunto. Público escasso e em alguns momentos shows tiveram que ser cancelados por motivos diversos como falta de publico e problemas internos. A banda vivia a sua maior crise. Apesar disso, são dois bons álbuns, onde a banda soou amadurecida.


Michael Kiske sai da banda devido a problemas de relacionamento com outros integrantes e Ingo Schwichtenberg por motivos de saúde(saiu no meio da tour do Chamaleon). Kiske segue carreira solo e aposta numa música mais pop. Já Ingo, que sofria de esquizofrenia, suicídou-se atirando-se para a frente de um vagão do metro de Hamburgo,em 1995.


Para substituí-los, em 1993, são convidados Andi Deris - vocalista vindo da banda de hard rock Pink Cream 69 e Uli Kusch - baterista vindo do Gamma Ray. Ps: Richie Abdel Nabi foi chamado para tocar na banda quando Ingo saiu. Ele ficou apenas na tour do Chamaleon até chamarem Uli Kusch para entrar na banda.


Com uma formação e força novos, o Helloween volta ao auge lançando o álbum Master of the Rings (1994) e começa a ganhar espaço novamente no cenário metálico mundial, sendo esse o álbum recordista de vendas da banda.


Em 1996 é lançado outro grande álbum, The Time of the Oath, o qual gera um álbum ao vivo gravado na Espanha e na Itália: High Live, que gerou uma Versão em fita VHS e posteriormente em DVD. A banda volta a fazer sucesso mundial, onde é escolhida a banda do ano no Japão pela revista Burrrnnn! Na turnê deste álbum a banda vem pela primeira vez ao Brasil. Pela simpatia dos nipônicos, o Helloween lança um exclusivo para aquele povo: Pumpkin Box, com quatro cds que abordam toda a carreira do conjunto.


Continuando na mesma linha do anterior (The Time of the Oath) , eles lançam o Better Than Raw (1998), encerrando o contrato de gravação com a inglesa Castle, que durava desde o "Master of the Rings".


Em 1999, a banda lança a coletânia Metal Jukebox, com sucessos não necessariamente relacionados ao metal, mas que influenciaram os integrantes da banda, como as bandas Focus, Scorpions, Jethro Tull, Faith No More, Abba, entre outras.
Assinando contrato com a Nuclear Blast, gigante na Europa no mercado de heavy metal, lançam o álbum The Dark Ride (2000), onde apostam numa sonoridade mais pesada e um pouco obscura, deixando um pouco de lado a melodia e alegria que eram características da banda desde o começo. O álbum gera críticas positivas e negativas, desgastando o relacionamento entre os integrantes da banda.


Devido a desavenças internas, Roland Grapow e Uli Kusch saem para formar o Masterplan e para seus lugares são chamados Sascha Gerstner, (ex-Freedom Call) e Mark Cross (ex- Metalium, Firewind recentemente), que, respectivamente, assumem a guitarra e a bateria. Durante a gravação do novo álbum, Mark Cross foi obrigado a sair da banda devido a problemas de saúde, e Mikkei Dee do Motörhead assumiu a bateria na gravação do Álbum.

Em 2003 a banda lança Rabbit Don't Come Easy, onde resgata um pouco da melodia perdida em outrora. Stefan Schwarzmann, ex-Running Wild e Accept é convidado para participar como baterista da turnê do álbum, saindo da banda no após o inicio da gravação do próximo álbum.
Com a saída de Stephan Schwarzmann em 2004 (que pelos comunicados oficiais, não conseguiria tocar os sons do novo álbum, o que motivou sua saída espontânea da banda) Dani Löble, ex-Rawhead Rexx, é chamado para assumir a bateria.


Em 2005 a banda lança a terceira parte da saga Keeper of The Seven Keys, Keeper of The Seven Keys - The Legacy, e partem para sua turnê mundial, onde gravaram seu novo DVD ao vivo (entitulado de Keeper of the Seven Keys – The Legacy World Tour 2005/2006 - Live on 3 Continents) na Bulgária, Japão e Brasil. No Brasil tocaram em cinco cidades: São Paulo (onde ocorreu a gravação do DVD e do CD), Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Santos.

No ano de 2007, o Helloween lança o seu décimo terceiro álbum de estúdio intitulado Gambling With the Devil, que novamente se encontra entre os melhores álbums de todos os tempos da História da banda e o melhor álbum do ano de 2007. A banda realiza entre 2007-2008 a Hellish World Tour, com participação especial da banda Gammaray.



Após longa turnê mundial a banda atualmente se encontra de férias e deve retornar no início de 2010. Mas antes disso, um novo álbum em 2009 e 2010 com certeza.


Formação atual:


Dani Loeble - bateria, Markus Grosskopf - baixo, Sascha Gerstner - guitarra, Michael Weikath - guitarra, Andi Deris - vocal


Celio Azevedo é Jornalista.

Músicas de Célio Azevedo


Boa tarde,

Como muitos sabem também sou músico e possuo um Myspace. Assim, estou num esquema de reprodução das minhas músicas pessoais, e no Youtube também.


Para quem quiser escutar minhas canções no myspace acesse, se quiser, no Youtube e digite "Célio Azevedo":





Links:

http://celioazevedomusicas.webnode.com
https://www.myspace.com/CelioAzevedo
https://www.youtube.com/schieese

Um abraço a todos,

Célio Azevedo.

Jornalista, Docente Superior e Músico.

Governo Combina aumento de cinquenta reais

Já estava tudo combinado, as cartas na mesa e o time armado no último encontro entre os presidentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, e o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, além de ter participado a CGTB (Confederação Geral dos Trabalhadores), CAT (Central Autônoma dos Trabalhadores) CGT (Central Geral dos Trabalhadores) e a SDS (Social Democracia Sindical), para definirem o novo valor do salário mínimo. No início, vieram com uma proposta “radical” de R$ 400 e a correção da tabela do Imposto de Renda para 13% para suprir as desigualdades sociais do país.

Logo depois, acertaram um aumento para R$ 350 com a taxa de 10%. Agora, o presidente Lula, que posa de ter batido o martelo, fixa o novo aumento de R$ 300 para R$ 350, com a taxa do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de 8%, ainda um dos mais baixos salários mínimos do mundo.

É de muita coragem a iniciativa que o governo federal de, em pleno ano eleitoral, tentar ainda passar a imagem à sociedade de que os trabalhadores e o governo federal estão negociando algum aumento de salário mínimo. O fato é que, desde quando Luiz Marinho, ex-presidente da CUT, assumiu a pasta do ministério do trabalho, a central única dos trabalhadores tem servido como correia de transmissão da política de conciliação "capital-trabalho" do governo, isso impõe aos trabalhadores uma posição de maior subserviência aos interesses dos patrões, já que o governo Lula optou por um aumento vergonhoso para, segundo a afirmação oficial, não afetar a saldo devedor da receita da previdência. Ora, só não sabe quem não quer que grande parte desse déficit deve-se a falta de pagamento dos servidores que devem e do governo que não cobra, se não fosse isso, o governo não estaria interessado em freqüentemente bater o recorde do superávit primário e de pagar antecipadamente, com o nosso dinheiro, a dívida ao FMI. A propósito, se fomos levar em conta a constituição brasileira, vamos ver que o DIEESE estima que um salário mínimo necessário para suprir as necessidades de um trabalhador e de sua família deve ser de, no mínimo, R$ 1.607,11, e que o aumento real do salário mínimo será de apenas 12,07%.

Não podemos crer que uma Central Única como a CUT, filiada a CIOSL, e que cada vez mais se desvia dos interesses dos trabalhadores, possa continuar representando os seus interesses, sob a bandeira da social democracia, onde que se tenta aplicar no Brasil um modelo que já de há muito tempo vem desgastado na Europa, o neoliberalismo. Além de, historicamente, a aristocracia operária sempre tentar, de todas as formas, iludir os trabalhadores ao discurso adequado à concepção de mundo integro. Mas em um país com cerca de 10 milhões de desempregados, com a segunda pior distribuição de renda do planeta, é um absurdo de manipulação da informação.

Celio Azevedo.

O Caminho dos Avanços Sociais



A falta do ideal de igualdade no início da década de 1990 e o enfraquecimento dos movimentos sociais ocasionaram um esvaziamento das 'ações coletivas' no Brasil e no Mundo. Com exceção nacional, no movimento estudantil.

O fortalecimento da esquerda com a sucessão de posses presidenciais de esquerda e centro-esquerda como Lula, Chaves e Kirstner, além do recrudescimento dos movimentos sociais, reforçam essa tese.

Fatos como esses denotam a importância do avanço "qualitativo" dos movimentos estudantis que, com coerência política e atuação prática, devem lutar para a melhoria do ensino público mas não contra a desmercantilização do ensino.



Matéria publicada no "Jornal O Dia" na seção de Opinião.
Líderes estudantis.

A crise e a queda do PCB em 1992


Com a crise no bloco socialista na década de 1980, que culminaria na queda do muro de Berlim, em 1989, e com o fim da União Soviética, em 1991, a então maioria da direção nacional se voltara a negar todo o ideário adquirido durante o auge das experiências socialistas, agora derrotadas pela sucessão dos acontecimentos do que chamaram de "golpe da burguesia" sobre o instrumento de luta do proletariado, a organização do partido comunista.

O Partido Comunista Brasileiro que, desde quando terminara o período do governo militar, de 1979 a 1980, após a maioria do comitê central ser morta (por apoiarem a luta armada), trouxe de volta antigos dirigentes exilados no exterior, muitos com as concepções do eurocomunismo, o que daria uma cara de partido social-democrata durante toda a década.

Após a sua legalização, durante o período de aplicação das teses da Perestroika na União Soviética, o partido se concentrou principalmente na campanha pela 'redemocratização do Brasil', com a formação da Constituinte de 1988 e as eleições presidenciáveis de 1989, porém o ponto dramático do partido se viria a constituir no programa de formação de alianças, além do erro anterior do partido ter preferido o apoio a CGT - uma central sindical considerada por eles como"internacional e liberal", ao invés da CUT no movimento sindical em 1984, e o descompromisso de parte da militância com suas publicações e do fraco resultado nas eleições.

Em 1992, de caráter forçado pela sucessão dos fatos ocorridos nas experiências socialistas, houve um divisor de águas na história da esquerda brasileira, na qual os comunistas acabariam sendo vencedores nessa disputa, com a saída de grande parte desse grupo e da minoria dos militantes para a formação de um novo partido político, o atual PPS.

Para entendermos melhor esse divisor de águas é preciso analisar que essa não foi a primeira tentativa de se dissolver o partido comunista além da primeira proposta ter sido pronunciada na antiga União Soviética em 1956, por ocasião do seu XX Congresso. No IX Congresso do PCB, em 1990, os "liquidacionistas" tentaram, só que a proposta havia sido derrotada por 95% do Congresso, menos de 30 votos.

Reconhecidos de que não iriam conseguir convencer a maioria da militância partidária, o mesmo grupo chamado pelos comunistas de "liquidacionistas", liderado por Roberto Freire e Sérgio Arouca, tentaram manipular essa maioria elegendo delegados que não eram do partido para um outro congresso extraordinário, o de 1992, o então chamado de “X Congresso”, que permitia o voto até de pessoas filiadas a outros partidos.

Não reconhecendo o caráter de legitimidade, baseada inclusive na prática do centralismo democrático, deste congresso, os comunistas pcbistas fundam o Movimento Nacional em Defesa do PCB, que realizaram uma conferência nacional, presente em 10 estados e mais de 200 delegados, que resultaria em duas palavras de ordem: “Não a liquidação do PCB!” e “Vamos reorganizar os Comunistas!”.

No dia do “X congresso” reuniram 500 delegados e decidiram pela conferência de reorganização do Partido Comunista Brasileiro, logo após os comunistas saíram em passeata em direção ao local do congresso, para expor os motivos de ruptura, convocando os outros militantes para se juntarem à conferência.

Logo após, com o nome temporário de PC - Partido Comunista, como reserva para que depois "recuperassem a legenda, o símbolo e caráter histórico" do Partido Comunista Brasileiro, e com a maioria dos militantes, os comunistas tiveram de dar início à batalha para a obtenção do registro definitivo, que dava direito partido disputar novamente as eleições.

A partir de então, os militantes tiveram de se organizar em diversas partes do país para poderem obter o registro para que o partido pudesse voltar a disputar eleições, filiando militantes em todo o Brasil.

A campanha de filiação era para atender às exigências do TSE - a filiação em 20% dos municípios de 9 estados – que começou em 1994. Foram exigidos "muitos sacrifícios" da direção e da militância, tanto em nível pessoal quanto financeiro, mas foi completada com êxito no final de 1995.

No final do ano de 1995, o partido conseguiu recuperar o registro e no ano seguinte, pôde disputar as eleições, elegendo um vereador, elaborando uma linha programática para o Brasil.

Nos últimos anos, o partido vem se reconstruindo, participando cada vez mais dos espaços políticos brasileiros e dos movimentos sociais, bem como em sindicatos, no movimento estudantil, aumentando cada vez o seu espolio comunistas brasileiros, com militantes que até então entravam na organização por sua antiga postura da década de 1980.

A direita então precisa estar alerta ao crescimento do movimento comunista no Brasil, a fim de evitar-se uma nova Cuba na América Latina. Infelizmente, o movimento comunista ainda não acabou. Apenas se reformulou mimeticamente sob uma nova forma, funcionando como uma antítese dialética em cima daquilo que eles mesmos criaram.

Anacrônicos ainda se vestem da maneira antiga, mas os atuais donos do poder hegemônico são bem piores que os antigos socialistas, já que fica difícil para leigos identificarem suas reais intenções comunistas.


Célio Azevedo é Jornalista.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O Legado do século XX


“Somos todos filhos do cosmos, mas nos transformamos em estranhos através de nosso conhecimento e de nossa cultura”. Edgar Morin

Durante o século XX, o mundo ficou dividido entre duas correntes de poder econômico, social e ideológico, por um lado, os EUA como potência mundial reafirmando a sua influência pelos demais países do mundo, determinando o modo capitalista de vida, por um outro, os países do bloco socialista liderado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, tentando disseminar o comunismo pelo mundo.

Dos milhares de mortos de judeus e democratas mortos em campos de concentração nazistas, que queriam construir uma “raça pura”, e dos soviéticos, que queriam realizar o comunismo, havia também o conflito inevitável entre esses dois poderes só poderiam coexistir pacificamente às avessas, já que os dois lados deste mundo dividido em dois fabricavam intensamente armas atômicas gerando medo e incerteza a milhares de pessoas no mundo, já que uma guerra nuclear poderia destruir toda a espécie humana.

O legado desta disputa nos deixou a compreensão de que a evolução humana é o crescimento do poderio da morte. Assim, para ultrapassarmos este período que Morin chama de barbárie é preciso reconhecer a sua dupla herança, a herança da morte e herança do nascimento.

Nos dias de hoje, além do risco de uma guerra nuclear, enfrentamos vários perigos como o aquecimento global, a degradação do meio ambiente, o fim da camada de ozônio, assim como o mundo enfrenta também os problemas com o aparecimento da AIDS, uma pandemia que mata milhões de pessoas no mundo já faz décadas.

A morte ganhou espaço em nossas vidas, os sentimentos autodestrutivo que já existiam de maneira latente, foram enfim ativados em decorrência do uso de drogas pesadas que aliviam a solidão e a angústia, causadas por um mundo onde cada vez mais se incentiva a competição. Edgar Morin nos faz compreender que não há leis da História que nos guiem inevitavelmente a algum lugar ideal, a um porvir radiante, e que nenhum trunfo democrático pode, de maneira alguma, ser assegurado em definitivo, que o desenvolvimento industrial pode ser nocivo ao meio ambiente do planeta e à cultura, e que a civilização do bem-estar pode gerar ao mesmo tempo o mal-estar.

Dessa forma, se pensarmos dessa maneira ainda é porque esta modernidade está morta.


Celio Azevedo - Jornalista e Docente Superior.

Um Músico na Noite

Ontem dia 13 de novembro de 2008, o policiamento estava bastante ostensivo na cidade do Rio de Janeiro, o que até justifico o fato por conta de eu considerar o Rio a cidade mais violenta do país. Um policial me parou por volta das 00:30 h para me revistar, para exercer algo no qual ele neologisticamente denominou "dar uma geral".  Após esta revista quase soviética ele concluiu que não havia nenhuma substância ilícita em meu porte.

A questão que eu deixo é essa: Será que justifica o fato de alguns policiais serem pouco educados e de levantarem o tom de voz toda vez ao abordar um cidadão? Afinal, pagamos por um serviço pelo qual os policiais exercem, já que passaram em concurso público.

O trabalho da Polícia é para ser respeitado, e é essencial para a manutenção da ordem pública, mas essas atitudes só degradam ainda mais a imagem da segurança pública no Rio. A Polícia deve perseguir bandido, mas não um cidadão honesto.

A questão nisso tudo é:

A Polícia Militar é atualmente preparada para lidar com a população, ou este modelo não cabe mais numa sociedade pós-governo militar?

Devemos defender a Polícia, mas não policiais despreparados.

Deixo para vocês uma antiga canção de Renato Russo que ele fez para a banda Capital Inicial:

Veraneio Vascaína

Cuidado pessoal, lá vem vindo a veraneio Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho Com números do lado, e dentro dois ou três tarados Assassinos armados e uniformizados Veraneio Vascaína vem dobrando a esquina Porque pobre quando nasce com instinto assassino Sabe o que vai ser quando crescer desde menino Ladrão para roubar ou marginal para matar "Papai, eu quero ser policial quando eu crescer" Se eles vêm com fogo em cima é melhor sair da frente tanto faz, ninguém se importa se você é inocente Com uma arma na mão eu boto fogo no país E não vai ter problema,eu sei, estou do lado da lei Cuidado pessoal, lá vem vindo a veraneio Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho Com números do lado, e dentro dois ou três tarados Assassinos armados e uniformizados Veraneio Vascaína vem dobrando a esquina Veraneio Vascaína vem dobrando a esquina Veraneio Vascaína vem dobrando a esquina.


Célio Azevedo.


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A manipulação jornalística nos dias de hoje

A notícia antes de chegar ao público precisa passar por vários processos que envolvem a sua produção, que vai desde a apuração dos fatos até o momento em que o receptor toma conhecimento deles.

É nesse sentido que o falseamento e a supressão da informação se transformam em mecanismos editoriais através dos quais jornais selecionam o que deve ou não ser publicado.

A “manipulação jornalística” (MARCONDES FILHO, 1979) executa um tratamento para transformar o fato em algo noticiável, para que este se torne objetivo aos olhos do leitor, de acordo com a ideologização constituída pela própria maneira de o jornalista organizar os fatos, por vezes, de maneira inconsciente, através da autocensura, outras conscientemente.

Os valores, portanto, de cada jornalista, orientados sob uma lógica do sistema econômico vigente, estão associados aos interesses de sua classe social de origem e a uma visão mercadológica da informação que passam a serem reproduzidos pelos veículos de comunicação para a opinião pública.

Associadas à credibilidade que o jornalismo tem para o público, as notícias ganham caráter de verdades incontestáveis, em relação às quais o público apenas exerce a posição de consumidor passivo. Ciro Marcondes Filho também fala da fragmentação da realidade (1979), como maneira geral de disposição do mundo na perspectiva da sociedade burguesa, através de notícias com informações fragmentadas, diluídas, difusas, que apresentam o contexto social, a realidade, sem nenhum nexo.

Essa situação de fragmentação acontece por conta do que é chamado por Marx de alienação do trabalho, que trata da ruptura entre o homem e seu produto do trabalho, que acontece na linha de produção quando o trabalhador é desenvolvido apenas em sua função como se este fosse uma peça de todo o maquinário produtor.

O trabalhador então se reencontraria no produto final através de seu distanciamento do mesmo, que passou a adquirir vida própria. O que é chamado de fetichismo de mercadoria (MARX, 1971) é reconhecido no consumismo.

As notícias são, portanto, associadas facilmente a esse tipo de fragmentação. Pois é de interesse para a classe social dominante que haja um controle sobre o que o leitor do jornalismo impresso precisa saber sobre os fatos. Já que o conhecimento sobre a realidade não deve atrapalhar o modelo de sistema econômico, assim como toda forma de organização do Estado vigente, constituído pelos interesses do sistema econômico da sociedade capitalista.

A hierarquização dos fatos é construída para que estes correspondam ao que é mais “objetivo”. Através da separação da notícia é destacado o que mais deve chamar a atenção do leitor em detrimento do que é, por vezes, o mais importante. É esta a lógica do mercado do jornalismo. O que não interessa é posto de lado como a origem dos fatos (MARCONDES FILHO, Ciro, O Capital da Notícia, pg. 41, 1979).

Nesse sentido, o receptor da mensagem não pode confirmar a veracidade do que lhe é narrado por conta da manipulação produzida sob o viés de pensamento presente nos veículos jornalísticos.

É comum também a própria falta de interesse da opinião pública sobre o conhecimento de todo o processo produtivo da notícia, sobre a própria padronização dos valores que interessem aos grupos dominantes, e como se dá a pressão dessas regras sobre a maneira do público pensar e decidir.

Para Antonio Gramsci, em seu livro Concepção dialética da História, apesar do homem ativo atuar praticamente, este ainda não possui uma clara consciência teórica desta sua ação, já que este conhecimento do mundo é obtido na medida que este indivíduo o transforma.

A compreensão crítica sobre si mesmo é obtida através de uma luta de hegemonias políticas, assim, pode-se compreender que no indivíduo, conhecimento é poder. O que se traduz no fortalecimento de sua consciência crítica e no poder de, libertando-se da alienação, ser capaz de interferir nos rumos da sociedade. Foucault indaga: “Para que serve o conhecimento se não para nos revolucionarmos?”.

Através da globalização, o que é local passa a fazer parte da esfera internacional e a informação ultrapassa as fronteiras geográficas e vai para a tela do computador, sendo transmitida também via satélites em tempo real, para qualquer parte do mundo.

Segundo Milton Santos, nunca houve antes essa possibilidade oferecida pela técnica à nossa geração de se tomar consciência do acontecer do outro (SANTOS, Milton, Por uma outra globalização, 2000a). E é nesse sentido que essas relações vêm sendo reproduzidas por todo o mundo globalizado para os vários indivíduos se transformarem em consumidores. Tanto de bens simbólicos, quanto de bens materiais específicos.

Milton Santos também afirma que o entendimento do que é o mundo passa pelo consumo e pela competitividade, e que esse consumismo e essa competitividade levam à atrofia da personalidade, do conhecimento dos indivíduos e ocasiona a ausência do homem como cidadão.

Esse tipo de ausência sempre foi comum no Brasil até porque, segundo o autor, as classes privilegiadas nunca quiseram assumir essa função enquanto que os pobres jamais puderam (SANTOS, Milton, Por uma outra globalização, 2000b).

Como efeito da globalização, as relações interpessoais são afetadas de todas as formas na sociedade contemporânea brasileira. Os brasileiros vêm gradativamente se interessando pelos costumes estrangeiros. Até na política, questões como o neoliberalismo, os ideários do anarquismo e do comunismo no início do século XX, a política de cotas em universidades públicas e particulares, foram transpostas de maneira mecânica, muitas das vezes.

Esta característica do brasileiro está intimamente ligada novamente ao histórico hierarquizador da nossa sociedade, na qual seus formadores de opinião sempre foram a nobreza de Portugal e, em nosso caso, não houve nenhum movimento revolucionário real que rompesse com essa estrutura de subordinação aos interesses estrangeiros desde a época das capitanias hereditárias. No quadro da globalização, a situação ainda fica mais complexa.

Através da mídia impressa brasileira, os jornais O Globo e o Jornal do Brasil não apresentam à opinião pública nenhuma crítica que represente uma reflexão mais profunda e sob um aspecto geral, assim como também não a incita ao debate.

Na cobertura jornalística brasileira sobre a crise política do governo Lula, a Revista Veja tem procurado sempre se apoiar com base do denuncismo em suas matérias. Segundo editorial do observatório da imprensa, publicado por Alberto Dines, em 16/5/2006, a Veja pretendia provar que o presidente Lula e alguns de seus colaboradores possuíam contas em paraísos fiscais, mas acabou envolvida numa das maiores fraudes jornalísticas dos últimos tempos.

Quando não se tem certeza de uma informação, não se publica esta informação até que seja confirmada cabalmente. E se não for confirmada, fica na gaveta ou vai para a cesta do lixo.

Como constatamos a ideologia capitalista da sociedade brasileira está impregnada de valores estrangeiros, cada vez mais inclusive, devido aos avanços das novas tecnologias da comunicação, como o computador e a aldeia global com a difusão de informações em tempo real através da Internet, anulando as fronteiras mundiais.

A destruição das fronteiras nacionais pela globalização, a redução do poder das instituições estatais sobre os serviços de educação, transportes, saúde, etc, além do avanço dessas novas tecnologias virtuais criam muitas dificuldades aos movimentos pela emancipação popular que, sem estrutura o suficiente, não têm como competir com as grandes empresas jornalísticas formadoras de opinião e que hegemonizam a ideologia capitalista, ao suprimirem as informações que assustam os poderosos do sistema.

Célio Azevedo é Jornalista.

Texto original de 2005, de sua produção monográfica.
 

Ter ou não ter

No mundo atual, onde muitos valorizam o ter em detrimento do ser, sentimentos ficam de lado, emoções são escondidas e amores são distorcidos. Poucos se valorizam pela questão do ser, pelo seu grau de instrução ou consciência. Aliás, quase todo mundo busca um canudo para poder aumentar o seu poder aquisitivo, e poucos para buscar alguma evolução individual.

Por que jogamos tudo fora? Por que descartamos tudo o que chega às nossas mãos como um papel que segura uma etiqueta ou uma lâmpada queimada, um celular velho ou até mesmo pessoas? A resposta sintética dessas e de mais perguntas relacionadas ao assunto é o substantivo masculino denominado “dinheiro”.

A solução entre todas as já discutidas pelos analistas sociais, agentes e cientistas políticos está em sermos bons educadores, mostrarmos que o ser é mais importante que o ter, que vale mais um coração apaixonado do que um carro importado. Apaixonado pela sua causa também vale, pois devemos todos ter uma que busque a verdade, até porque nós humanos possuímos criatividade e inteligência para isso.


Célio Azevedo é Jornalista e Docente Superior.