terça-feira, 13 de outubro de 2009

A crise e a queda do PCB em 1992


Com a crise no bloco socialista na década de 80, que culminaria na queda do muro de Berlim, em 1989, e com o fim da União Soviética, 1991, a então maioria da direção nacional se voltara a negar todo o ideário adquirido durante o sucesso das experiências socialistas, agora derrotadas, pela sucessão dos acontecimentos de golpe da burguesia sobre o instrumento de luta do proletariado, a organização do partido comunista.

O Partido Comunista Brasileiro que, desde quando terminara o período de chumbo da ditadura militar, de 79 a 80, após a maioria do comitê central ser assassinada e grande parte de militantes de base também, trouxe de volta antigos dirigentes exilados no exterior, muitos com as concepções do eurocomunismo, o que daria um cara de partido social democrata durante toda a década.

Após a sua legalização, durante o período de aplicação das teses da Perestroika na União Soviética, o partido se concentrou principalmente na campanha pela redemocratização do Brasil, com a formação de constituinte de 1988 e as eleições presidenciáveis de 1989, porém o ponto dramático do partido se viria a constituir no programa de formação de alianças, além do erro anterior do partido ter preferido o apoio a CGT - uma central sindical internacional e liberal, ao invés da CUT no movimento sindical, 1984, e o descompromisso de parte da militância com suas publicações e do fraco resultado nas eleições.

Em 1992, de caráter forçado pela sucessão dos fatos ocorridos nas experiências socialistas, houve um divisor de águas na história da esquerda brasileira, na qual os comunistas acabariam sendo vitoriosos, com a saída de grande parte desse grupo e da minoria dos militantes para a formação de um novo partido político, o atual PPS.

Para entendermos melhor esse divisor de águas é preciso analisar que essa não foi a primeira tentativa de se dissolver o partido comunista além da primeira proposta ter sido pronunciada na antiga União Soviética em 1956, por ocasião do seu XX Congresso. No IX Congresso do Partidão, em 1990, os liquidacionistas tentaram, só que a proposta havia sido derrotada por 95% do Congresso, menos de 30 votos.

Reconhecidos de que não iriam conseguir convencer a maioria da militância partidária, o mesmo grupo chamado pelos comunistas de "liquidacionistas", liderado por Roberto Freire e Sérgio Arouca, tentaram manipular essa maioria elegendo delegados que não eram do partido para um outro congresso extraordinário, o de 1992, o então chamado de “X Congresso”, que permitia o voto até de pessoas filiadas a outros partidos.
Não reconhecendo o caráter de legitimidade, baseada inclusive na prática do centralismo democrático, deste congresso, os comunistas pcbistas fundam o movimento nacional em defesa do PCB, que realizaram uma conferência nacional, presente em 10 estados e mais de 200 delegados, que resultou em duas palavras de ordem: “Não a liquidação do PCB” e “Vamos reorganizar os Comunistas”.

No dia do “X congresso”, reunimos de 500 delegados e decidimos pela conferência de reorganização do Partido Comunista Brasileiro, logo após os comunistas saíram em passeata em direção ao local do congresso, para expor os motivos de ruptura com essa farsa, convocando os outros companheiros para se juntarem à conferência.

Logo após, com o nome temporário de PC - partido comunista, como reserva para que depois recuperassem a legenda, o símbolo e o caráter histórico do Partido Comunista Brasileiro, e com a maioria dos militantes, os comunistas tiveram de dar início à batalha para a obtenção do registro definitivo, que dava direito partido disputar novamente as eleições.

A partir de então, os militantes tiveram de se organizar em diversas partes do país para poderem obter o registro para que o partido pudesse voltar a disputar eleições, filiando comunistas em todo o Brasil.

A campanha de filiação era para atender às rigorosas exigências do TSE - a filiação em 20% dos municípios de 9 estados – que começou em 1994. Foram exigidos muitos sacrifícios da direção e da militância, tanto em nível pessoal quanto financeiro, mas foi completada com êxito no final de 1995. No final do ano de 1995, o partido conseguiu recuperar o registro e no ano seguinte, pode disputar as eleições, elegendo um vereador, elaborando uma linha programática adequada à realidade do Brasil, talvez a melhor do país.

Nos últimos anos, o partido vem se reconstruindo, participando cada vez mais dos espaços políticos brasileiros e dos movimentos sociais, como em sindicatos, no movimento estudantil, aumentando cada vez o seu espolio comunistas brasileiros, com militantes que até então entravam na organização por sua antiga postura da década de 80.

Célio Azevedo é Jornalista.

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